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Mercado e Negócios··4 min de leitura

Setor de embalagens registra tímido crescimento

O incremento da produção semestral foi impulsionado pelo desempenho dos fabricantes de embalagens de madeira e vidro

Luciana Pellegrino-Diretora Executiva da Abre
Luciana Pellegrino, diretora executiva da Abre. No semestre, a expansão foi de 2,98%, ritmo mais modesto que os 15,57% do igual período de 2010

 

Importante balizador da economia, a indústria brasileira de embalagens encerrou o primeiro semestre de 2011 com expansão de 2,98% na produção física em relação a igual período do ano passado. De acordo com estudo da Associação Brasileira de Embalagem (Abre), elaborado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o indicador cresceu 5,01% no primeiro trimestre e 0,98% no segundo trimestre. O resultado obtido entre abril e junho é o pior do levantamento desde o quarto trimestre de 2009, período no qual a produção encolheu 3,62%.

O incremento da produção semestral foi impulsionado pelo desempenho dos fabricantes de embalagens de madeira (+15,83%) e vidro (+11,69%). Os setores de plástico e papel, papelão e cartão, de maior peso no levantamento, tiveram crescimentos mais modestos, de 0,46% e 1,45%, respectivamente. O principal destaque negativo do semestre ficou por conta do setor plástico, cuja produção chegou a encolher 1,19% no segundo trimestre em relação ao mesmo período de 2010.

No semestre, a expansão foi de apenas 2,98%, ritmo bem mais modesto que os 15,57% dos seis primeiros meses de 2010. No entanto, a diretora executiva da Abre, Luciana Pellegrino, faz questão de ressaltar que o ano passado não serve de comparação, já que os números expressivos se devem à recuperação, após a crise de crédito global que atingiu as empresas brasileiras ao longo de 2009.

Apesar da ressalva, a dirigente assinala que o cenário aponta crescimento tímido. “Esperávamos crescer 2% em volume (de produção), mas estamos revendo para 1%”, afirma. Em faturamento, será um pouco mais, 6,8% – o segmento deve fechar o ano com R$ 45,6 bilhões de vendas.

Para ela, o resultado modesto reflete, além das medidas do governo para retrair o consumo, o aumento dos importados. A entrada de bens de consumo do Exterior registra expansão de 25% neste ano e, como esses itens já vêm embalados de outros países, isso representa perda de encomendas.
 

Números do Setor de Embalagens

De acordo com as projeções da FGV, a produção física da indústria brasileira de embalagens deverá encerrar o ano com alta de 0,96%. O número é inferior ao resultado previsto inicialmente pela entidade, de 2,17% para o ano. Em 2010, a produção brasileira cresceu 10,1% e nos últimos 12 meses, houve um aumento de 4,18%.

A receita líquida de vendas em 2011 deverá totalizar R$ 45,6 bilhões, expansão de 2,3% em relação ao ano passado (R$ 41,1 bilhões). Os dados são do levantamento Estudo Macroeconômico da Embalagem, apresentado pelo analista Salomão Quadros, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Na avaliação do economista , “o pior momento” a ser enfrentado pelos fabricantes nacionais deverá ser o que vai até setembro, tendo iniciado em julho, mas com uma pequena recuperação logo em seguida. O que está ocorrendo, segundo ele, é um processo de ajuste porque o ritmo de produção não acompanhou a demanda, deixando as empresas com os estoques elevados.

“Como a demanda não está dando sinal de que vai se recompor, a única maneira de reduzir estoques é diminuir a produção”, disse Quadros. Para ele, no entanto, essa deverá ser uma fase transitória. Ele lembrou que, no primeiro trimestre, a indústria de embalagens apresentou forte crescimento (5,01%) e, no segundo, houve queda expressiva no ritmo, com 0,98%.

O motivo para esse desempenho mais fraco foi a concorrência com os importados, principalmente, devido à entrada de produtos comprados da China, que chegam já embaladas. Com a economia internacional mais desaquecida, a tendência é os países venderem para mercados que continuam consumindo, mesmo que a ritmo mais lento, como é o caso do Brasil, avaliou o economista.

Quanto aos impactos dos entraves nas economias norte-americana e de alguns países da zona do euro, o economista acha prematuro fazer previsões porque, na opinião de Quadros, não existe ainda uma definição clara se haverá um prolongado período de baixo crescimento ou até de uma pequena recessão.

 

Escrito porEquipe Vidrado

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