O Copo Americano de todo brasileiro

Com mais de 100 milhões de unidades vendidas por ano, o copo americano da Nadir Figueiredo é 100% brasileiro

4/10/2010


Copo Americano da Nadir Figueiredo

No início de 2009, quando visitavam uma feira de utilidades domésticas na Alemanha, executivos da indústria Nadir Figueiredo foram surpreendidos com um pedido dos representantes do Museu de Arte Moderna de Nova York (MOMA): um lote de copos americanos, considerados por eles um ícone da cultura brasileira. Criado em 1947 e consagrado no país como o copo oficial da média na padaria e da cerveja gelada no boteco, o copo de design simples ganhou fama internacional. Integrou, ao lado de 75 outros produtos brasileiros, a exposição do Projeto Destination, que exibe e coloca à venda no MOMA objetos de design de vários países. “Despachamos 40 caixas com 24 unidades cada uma. Vendeu tudo rapidinho a US$ 3 cada um, quase quatro vezes mais que o preço praticado no mercado nacional”, afirma Raul Antonio de Paula e Silva, 68 anos, terceira geração da família no comando da empresa e membro do conselho de administração. Foi com o pedido do MOMA que a Nadir Figueiredo percebeu que tinha um produto de grande aceitação mundial. Só no Orkut são 14 comunidades, entre elas, ‘cerveja é no copo americano’, com 1.163 membros até junho passado. Segundo Ellen Kiss, coordenadora do curso de pós-graduação em design estratégico da ESPM-SP, o copo americano é um dos melhores exemplos de produtos que se tornaram tão ou mais fortes que a marca que os criou. “Trata-se de um copo simples, resistente, de baixo custo, que saiu da esfera pública e ganhou o museu justamente por ser único”, afirma Ellen.

Disposta a fazer com que as novas gerações associem a imagem da empresa ao copo, pela primeira vez em décadas de história, a Nadir Figueiredo criou um plano de marketing para aquele que responde por cerca de 25% de suas vendas. “Queremos nos reaproximar do consumidor final com a campanha nacional que tem o seguinte lema: Copo americano, no fundo você sabe que é Nadir”, diz Paulo Barros, gerente de marketing. Como parte da estratégia, desde janeiro deste ano os copos têm estampada no fundo a letra N, símbolo da marca.

Com mais de 100 milhões de unidades vendidas por ano no mundo, o copo americano, apesar do nome, é 100% brasileiro. Há 63 anos é o carro-chefe de uma das mais tradicionais indústrias paulistas, instalada no bairro da Vila Maria. Fundada em 1912, pelos irmãos Nadir e Morvan Dias de Figueiredo, a Nadir Figueiredo começou como uma oficina de máquinas de escrever. Um ano depois, virou fundição, e na década de 30 adotou o vidro como matéria-prima principal. É hoje a maior fabricante de utilidades domésticas de vidro do país, detém 60% do mercado de copos, segundo levantamento da Nielsen, tem 3.500 produtos em linha, mais de 3 mil clientes pelo Brasil e registrou um faturamento de R$ 400 milhões em 2009.

Foi sob o comando da segunda geração da família que a empresa iniciou sua expansão internacional. Era início da década de 80 e, para poder exportar, as empresas precisavam receber uma licença da Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil (Cacex). “Passei dois anos conhecendo os mercados e apresentando nossos copos”, lembra Silva. “Ganhei o divórcio, mas plantei a semente.” Segundo o empresário, foi por não ter medo de desafios que a empresa ganhou o mundo. “Naquela época, exportávamos US$ 500 mil por ano. A Cacex nos propôs chegar a US$ 4 milhões em 12 meses”, afirma Silva. “Em um ano, somamos US$ 2,5 milhões e, em dois anos, US$ 7 milhões.” As exportações alcançaram 127 países. Aos poucos, porém, a empresa foi apurando seus mercados até chegar aos cem destinos atuais, em cinco continentes.

Para afinar a logística, desde os anos 90 a Nadir Figueiredo mantém um centro de distribuição na Bélgica que atende à comunidade europeia. Em 2003, instalou-se na Argentina, também com uma distribuidora, e até o final de 2010 deve inaugurar mais uma central na Europa. No mercado interno, a empresa conta com a parceria da IDLogistics para administrar seus armazéns, num total de 70 mil m², com aplicação de modernos conceitos de controles organizacionais, como rastreamento dos lotes de produtos nos armazéns e na distribuição.

Fonte: wosiack.wordpress.com