Ainda que baseada em linhas e materiais brutos, grandes panos de vidro enquadram o cenário em todos os percursos da casa
Caixa de vidro em terreno perfeito destaca a paisagem como principal elemento na decoração
Nenhum pilar, bloco de pedra ou esquadria está onde está por acaso neste projeto de Paulus Magnus. “Minha arquitetura busca provocar sensações. Gosto de tornar únicos os percursos mais triviais”, diz ele. Imagine levantar da cama, ir ao banheiro e deparar com o nascer do sol, eis a emoção à qual o arquiteto se refere.
Para adicionar poesia aos momentos de lazer do cliente, Paulus, estudou o cenário. Maravilhou-se com a beleza do terreno em Piracaia, a 85 km de São Paulo, e apropriou- se da vista: ela aparece em praticamente todos os cômodos, através de imensos panos de vidro ou pequenos rasgos na alvenaria. “A paisagem sobressaía. Nada que eu colocasse dentro da casa seria mais lindo”, justifica. A melhor maneira de enquadrá-la Paulus encontrou na forma de uma caixa transparente, sobreposta por um pavilhão retangular apoiado em somente oito pilares.
A ausência de obstáculos, se por um lado libera o olhar para a represa e as montanhas, por outro exigiu um arranjo compatível com a audácia: os poucos pontos de suporte concedidos ao segundo andar ordenaram a presença de lajes de concreto protendido, recurso que evita deformidades e fissuras em grandes vão. “Do desenho surgiu uma partitura estrutural”, afirma ele, sem abandonar o romantismo nem mesmo diante da dureza da engenharia.
Porta de vidro pivotante de acesso à moradiaO living traduz um dos pedidos do proprietário: muito espaço livre para acolher os amigos nos fins de semana. O piso leva madeira de demolição
Até no banheiro do proprietário a paisagem se revela. Repare como a esquadria emoldura a vista, que combina montanha e represa, refletida pelo espelho.
Para incrementar os programas em ocasiões especiais, Paulus montou um espaço gourmet, onde proprietário e convidados mostram seus dotes culinários. Ele exibe piso de madeira de demolição e bancadas de granito preto (Rochas & Cia). A casa conta ainda com outra cozinha, de uso rotineiro.
O deck feito com réguas de cumaru de 10 x 2 cm (Madeireira Felgueiras) convida ao bate-papo no fim de tarde. Como os vidros que fecham o estar podem ser recolhidos para um lado só, não há limites entre a sala e o exterior.
“O minimalismo consegue acomodar formas tridimensionais do modo mais simples possível”, diz o arquiteto, explicando sua maneira de desenhar. Nem a piscina foge das linhas puras – seu contorno longilíneo repete os retângulos da casa.
A piscina, revestida com pastilhas de vidro 2,5 x 2,5 cm (Jatobá), se projeta em direção à represa e quase se confunde com ela, retratando um ideal de sossego em meio à imensidão da natureza.
O arquiteto reservou a melhor posição para admirar a paisagem às suítes (todas no segundo andar) e à área social, alinhada logo abaixo dos quartos. Os espaços de serviço (cozinha, lavanderia e dependências de empregados) ficam numa ala perpendicular (ela aparece na foto acima, revestida com pedras).